Santo do dia 23/10/2026
S. João de Capistrano, presbítero franciscano, padroeiro dos capelães militares
Capistrano, na região italiana de Abruzzo, é a cidade natal de João, filho de um barão alemão, que logo se transferiu a Perugia para estudar Direito. Fez carreira, rapidamente: foi jurista e governador da cidade; mas, com a ocupação da cidade pela família Malatesta, foi preso. Na prisão, descobriu que o Senhor o chamava; quando saiu da cadeia, tornou-se sacerdote da Ordem dos Franciscanos Menores.
No convento franciscano, João dedicou-se à pregação, à defesa da ortodoxia católica e à reforma da Ordem, começando por dentro. Suas pregações, sobretudo no Advento e Quaresma, inflamavam as pessoas, obtinham conversões, renovavam espiritualmente os povos que o ouviam. Naquele período, João conheceu Bernardino de Sena, que também era franciscano, do qual foi muito amigo. Bernardino falou-lhe sobre a sua devoção particular ao Nome de Jesus, condensada na sigla IHS, isto é, "Jesus salvador dos homens". João defendeu-o das acusações de heresia e também se comprometeu em desmascarar o "fraticelismo", a prática de divulgar doutrinas disfarçadas pela Regra Franciscana, declaradas heréticas pela Igreja. Por isso, João de Capistrano é considerado um dos maiores reformadores da Ordem, a ponto de ser chamado "Coluna da Observância". Foi encarregado também de combater a prática da usura.
Em 1453, deu-se a queda de Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente. O sentimento de ameaça ao Cristianismo torna-se gigantesco, devido ao avanço irrefreável do Islamismo e dos Turcos: para muitos, isto começou a ser uma preocupação forte e concreta. João foi à Áustria, com 12 companheiros, a pedido do Papa Nicolau V, para evangelizar aquelas terras europeias mais descuidadas e combater as heresias, que se propagavam, mas logo tudo isso passou em segundo lugar. Dedicando-se totalmente à causa do Evangelho, começou a viajar pela Europa central, na tentativa de recrutar homens. De fato, teve grande repercussão entre as populações húngaras, as mais expostas às ameaças dos Turcos. Então, à frente de um exército de cinco mil homens, partiu para Belgrado, com o objetivo de romper o cerco da cidade da frota fluvial, comandada por Maomé II. Uma semana depois, conseguiu vencer a guerra, que transformou o idoso frade em general vitorioso. No caminho de volta, porém, exausto pelo cansaço e por ter contraído a peste, João de Capistrano morreu no convento de Ilok, atual Croácia, em 23 de outubro de 1456. Foi canonizado por Alexandre VII, em 1690, e, desde 1984, proclamado Padroeiro dos Capelães militares.
Oração dos capelães militares ao seu Santo padroeiro: Ó glorioso São João, homem de Deus e da Igreja, animador de multidões audazes, nós, capelães militares das Forças Armadas da Terra, do Céu e do Mar, pedimos-te, com o mesmo ardor que tinhas, quando invocaste o Senhor, para guiar teus homens e salvaguardar a civilização cristã. Nós também, por dever sagrado para com Deus e nosso país, somos chamados a ajudar as novas gerações na busca e defesa dos valores supremos da justiça e da paz. Ensina-nos a amar nossos soldados, como tu os amaste, a senti-los mais próximos, mais que irmãos, e a compreendê-los em suas aspirações humanas e espirituais. Ajuda-nos a levar ao coração das nossas tropas, a tua mesma paixão de fé e a integridade do nosso testemunho. É o que os homens das Armas nos pedem e devemos lhes oferecer. Portanto, recorremos a ti, nosso Padroeiro celeste; a ti rogamos, Apóstolo seráfico e, pelos teus merecimentos, esperamos os Dons do Espírito. Amém
S. Severino Boécio, filósofo romano e mártir
Há pessoas que buscam a verdade por toda a vida, mas há outros que até estão dispostos a morrer, como mártires, pela única Verdade. Mânlio Torquato Severino Boécio pertencia a esta segunda categoria. Descendente da nobre família Anício, foi cônsul e filósofo romano, venerado como santo pela Igreja. Severino é considerado o fundador da Escolástica medieval: seu pensamento já era conhecido por Dante Alighieri, que o chamava "alma santa".
Severino Boécio, descendente de uma importante família patrícia, tinha uma carreira promissora: aos 25 anos já era Senador e, depois, único cônsul, desde 510. Casou-se com Rusticiana com a qual teve dois filhos, que, sucessivamente, em 522, também foram cônsules. Em 497, Roma foi invadida pelos Ostrogodos de Teodorico. Na época, Boécio destacava-se entre os romanos cultos, que acreditavam na coexistência e na possibilidade de um encontro entre as duas culturas. No início, Teodorico o estimava e lhe pedia conselhos, porque, tendo escrito muito sobre lógica, matemática, música e teologia, era um homem influente na sociedade de então. Porém, aconteceu que, por defender um amigo, o senador Albino, Severino Boécio foi acusado de corrupção, pelo próprio Teodorico, que - como Ariano e Bárbaro - temia que ele tivesse maior propensão pelo imperador bizantino, Justiniano. Por este motivo, foi exilado e encarcerado em Pavia, onde foi executado em 23 de outubro de 524.
Na penitenciária, Severino Boécio sabia que estava cumprindo uma sentença injusta, por isso buscava luz, consolação, sabedoria. Tudo começou com uma reflexão sobre a justiça humana, na qual, muitas vezes, havia muitas injustiças reais, como no seu caso. Daí, continuou a escrever: na prisão se dissipam os bens aparentes, mas abrem alas aos bens autênticos, como a amizade ou o Bem superior ou Sumo Bem, que é Deus. Deus não o abandonou e não lhe permitiu cair no fatalismo e aniquilar a esperança; pelo contrário, ensinou-lhe que a Providência, que tem um rosto, governa o mundo. Assim, o condenado à morte podia dialogar com o rosto de Deus, através da oração, e alcançar a salvação. Eis, em poucas palavras, o conteúdo de sua obra-prima, “De consolatione philosophiae”. Nesta obra, utilizando um gênero literário amado pela antiguidade tardia, recorreu à consolação do pensamento, como recurso para o seu drama existencial. Dito isso, a consolação de Deus veio logo ao seu encontro: em primeiro lugar, quem estava só, consigo mesmo, não podia se definir em exílio; a seguir, começou a pensar, não no que havia perdido, mas no que lhe restava. Daí, passou a compreender que a felicidade só pode ser encontrada com a sua projeção para o infinito, ou seja, na dimensão própria de Deus. Da mesma forma, a liberdade do homem se realiza somente quando ele permanece vinculado ao plano que a Providência lhe reservou. Logo, jamais deveria se conformar com a condição de sofrimento em que se encontrava, mas tender, sempre e a todo custo, ao Sumo Bem, a Deus. Eis o ensinamento mais autêntico de todos os mártires!
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Novembro 2026
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